Pela terceira vez nos últimos dez anos, as Igrejas Cristãs do Brasil, reunidas no Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), realizam em conjunto uma Campanha da Fraternidade Ecumênica. O tema desta campanha é Economia e Vida, tendo como o lema o versículo bíblico do Evangelho de Mateus: Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro (Mt 6, 24), e o objetivo geral é "Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão".
O que se pretende discutir nesta campanha é a distribuição de riquezas e bem comum, pois o que se tem visto na sociedade é o valor exagerado dado ao dinheiro e ao acúmulo de bens. Numa economia voltada para o interesse de uma minoria, para satisfação de interesses particulares, há um grito no meio do povo clamando por paz, por uma melhor distribuição de renda, por uma sociedade mais justa e mais fraterna. A economia deve a princípio estar a serviço da vida, por isso, como cristão, como devemos agir para que a nossa economia possa satisfazer as necessidades humanas e a construção do bem comum? Para que realmente a economia esteja a serviço da vida, é necessário conversão pessoal, uma mudança de pensamentos, de atitudes, assim como uma mudança na estrutura.
Além do objetivo geral, há 05 objetivos específicos:
- Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem.
- Buscar a superação do consumismo, que faz com que o "ter" seja mais importante do que as pessoas.
- Criar laços entre as pessoas de convivência mais próxima, em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais
- Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da Justiça, como dimensão constitutiva do anúncio do Evangelho.
- Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica, em vista da própria conversão.
O que se percebe hoje é como o dinheiro, os bens materiais passaram a ser o centro da vida das pessoas, principalmente dos cristãos, daqueles colocam sua felicidade no ter, no possuir cada vez mais riquezas, ajuntando tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem , onde os ladrões furtam (Mt 6, 19). Para o Pe. Gabriele Ciprini, “colocar a felicidade ou o grande objetivo da vida na acumulação de riquezas, transformando muitas vezes o supérfluo num objeto de primeira necessidade, não contribui para a prática de uma economia da solidariedade”. Não podemos esquecer que devemos obter o necessário para a nossa sobrevivência e que o nosso papel como igreja “não é só orar, mas testemunhar no mundo os valores do Evangelho. É formar pessoas que promovam uma nova educação, capaz de romper com as desigualdades de classe, gênero, raça e etnia, combater a discriminação, cuidar do planeta, valorizar o respeito à dignidade humana e incrementar as capacidades de diálogo e cooperação” – destaca o Texto-base da C. E. F. 2010.
As Igrejas Cristãs querem mostrar que é possível uma economia mais solidária, por isso, o Conic resolveu montar uma cartilha: Economia solidária: uma nova economia é possível, que propõe refletir sobre os empreendimentos econômicos associativos, como: a organização de agricultores familiares em cooperativas, redes e sistemas produtivos, o uso de moeda comunitária e finanças solidárias para a comercialização e consumo. Segundo o reverendo Luiz Alberto Barbosa, esta campanha é mais uma oportunidade para mostrar que, apesar da diversidade e das características próprias de cada igreja, a união em favor do próximo e de um mundo melhor para todos é possível.
Ir. Silvana Alves Nogueira
Consagrada Luz da Vida
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