| Liberdade e Responsabilidade |

Muito se fala de liberdade! Sou livre pra isso, sou livre pra aquilo... Mas que no fundo, pouco se sabe o que isso quer dizer... Interessante é ver que os diversos meios de comunicação, a sociedade, cada vez mais secularizada, vão nos dando diferentes conceitos de liberdade. O que, levado ao grau máximo, soa-nos uma espécie de fala: faça o que quiser!
É aí que está o erro...
Não há liberdade sem antes estar acompanhada com a responsabilidade. O psicólogo Victor Frankl, em uma aula com alunos americanos, afirma que ao lado da estátua da liberdade se deveria construir a estátua da responsabilidade. Cada ato livre corresponde, também, com a livre responsabilidade do ato que se comete, sendo ele bom ou ruim. Ser livre é, de certo modo, entender essa dimensão da liberdade-responsabilidade. A liberdade é o atributo dado por Deus para que pudéssemos ser a Sua imagem e semelhança. A liberdade é a capacidade de irmos sempre além de nós mesmos. Pois, ela não é liberdade-de, mas liberdade-para. O que isso quer dizer?
A liberdade-de refere-se a tudo o que, de algum modo, nos aprisiona. Por exemplo: limite espaço-temporal, coações, leis – quando julgo ser coagido por ela - prisões propriamente ditas, etc. A liberdade sendo entendida dessa forma nos leva a buscar, de qualquer maneira, meios para nos libertar. E, assim, agimos inconseqüentemente e não livremente!
Em contrapartida, a liberdade-para é aquela que, presente no interior do homem, tende-o para fora de si mesmo. Liga-nos a profundas relações com o que está além do ego, ou seja, com o mundo criado, as pessoas e Deus mesmo. E esta liberdade é que nos faz realmente livres, porque vem acompanhada pela responsabilidade de contribuir, através meu ser livre, com o mundo, ciente de que o outro também deseja ser livre.
Generalizando, de certo modo, este conceito, a liberdade-de está permeada do egoísmo, assim, busca confrontar com tudo o que for obstáculo para o ego. Busca seus próprios interesses e não mede as conseqüências para alcançá-los. Já a liberdade-para nos reporta à transcendência, ou seja, à capacidade de, mesmo diante os obstáculos, ir além deles, uma vez que não somos chamados a uma liberdade para nós mesmos, mas para o amor-comunhão.
Deus é totalmente livre e vive em plena comunhão de amor com as pessoas divinas. Nós somos imagem e semelhança do Deus Trindade o que, também, nos dá a capacidade de sermos livres para a comunhão.
Ninguém pode se achar livre porque faz o que quer! A liberdade não é subjetiva... ela é, também, responsabilidade! Santo Agostinho afirma que a liberdade só é para o bem, ao ponto de dizer: “ame e faça o que quiseres!” Só quem é totalmente responsável pode ser totalmente livre e vice versa.
Portanto, não busque a liberdade a partir de conceitos medíocres e egoístas que dizem por aí. Seja livre de si mesmo e de do que tanto insiste em nos persuadir. Seja livre em Deus, pois fora d’Ele tudo é prisão.
Que Deus o abençoe.
Onésimo Neto
Consagrado e Seminarista Luz da Vida