*Desfrutemos deste belíssimo e coerente texto do saudoso Pe. Léo que vem nos mostrar o caráter sacramental da sexualidade. E você, é chamado (a) a não apenas ler este texto, mas a dar uma reviravolta em seu matrimônio com a força e orientação do Espírito Santo, seja canal de salvação para sua família, diga sim à santidade!!! Luiz Antônio.
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O catecismo da Igreja Católica partirá de uma grande certeza para afirmar o caráter sacramental do matrimônio:
“A vocação para o matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do criador. [...] Deus, que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata de todo ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do criador. E este amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se a obra comum de preservação da criação: ‘Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a’” (CIC 1603-1604).
A sexualidade humana é obra divina. Por isso é um sublime mistério. A sexualidade humana está ordenada à totalidade da pessoa, sendo de importância decisiva para o desenvolvimento equilibrado da personalidade. Desse modo a sexualidade não pode ser reduzida à genitalidade. A sexualidade é muito mais abrangente, pois engloba o físico, o psíquico e o espiritual.
Somente no amor verdadeiro, a sexualidade humana é modelada segundo Deus. Nessa perspectiva conhecemos a riqueza da doação e do acolhimento entre homem e mulher, mas descobrimos também a dependência e a fraqueza de ambos. A dimensão sexual só pode ser compreendida quando relacionada em Deus.
Quando vivemos nossa sexualidade reduzindo-a à genitalidade, pouco a pouco vamos nos despersonalizando. A genitalidade desumaniza o ser humano, já que acaba gerando o desrespeito e o desprezo pelo outro ao transformá-lo num objeto de prazer – portanto uma coisa. A sexualidade é humanizadora. A genitalidade, sem a dimensão espiritual é opressora e acaba virando um vício, pois coisifica e desfigura o ser humano.
A vivência da sexualidade, no sacramento do matrimônio se manifesta e se realiza na genitalidade. Ou seja, o corpo humano é instrumento do amor e doação. É preciso compreender a sexualidade como uma realidade abençoada e querida por Deus, e por isso mesmo, essencialmente boa. No entanto, sem uma correta teologia da sexualidade é impossível percebê-la como instrumento e como canal da graça de Deus.
A primeira coisa que precisamos compreender é o caráter divino do próprio corpo. Infelizmente temos uma visão muito negativa e encardida da sexualidade. Essa visão negativa é fruto de vivência pecaminosa da sexualidade. Tal visão e tal vivência só serão transformadas a partir de uma experiência de Deus na própria sexualidade.
Tenho convidado casais, especialmente em retiros espirituais, para uma experiência de Deus a partir da vivência plena da sexualidade no exercício da genitalidade. Cada vez me convenço mais de que esse é o grande caminho. Afinal de contas não nos faltam textos teológicos e até doutrinais sobre este assunto tão vasto; o que falta é uma compreensão correta, especialmente por parte daqueles que são chamados, por vocação específica dentro da Igreja, a viver a genitalidade como sacramento, isto é, como sinal e instrumento de Deus para o mundo.
Partindo da Palavra de Deus, que usa de um rico simbolismo para falar da importância do relacionamento entre homem e mulher, e nos aprofundando na doutrina e na experiência da Igreja ao longo dos séculos, compreendemos que a união esponsal é chamada a ser símbolo da aliança entre Deus e a humanidade. O matrimônio é símbolo do amor criador de Deus e também símbolo do amor de Cristo pela Igreja.
Não é difícil percebermos que o amor humano, vivido no matrimônio, só chegará a ser um sacramento de cura na medida em que tiver uma íntima relação com o amor divino.
A Organização mundial da Saúde define a sexualidade como uma força que nos motiva a procurar amor, contato, ternura e intimidade; que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; ela influencia pensamentos, sentimentos, ações e interações e, por isso influencia também a nossa saúde física e mental.
Partindo da definição do próprio termo, sexo quer dizer cortar e dividir, sem a dimensão espiritual a sexualidade nunca será integradora, nunca deixará de ser fonte de rupturas, o que temos visto é a sexualidade como fonte de sofrimento e morte, exatamente por faltar a experiência do sagrado.
A sexualidade é lugar privilegiado da graça de Deus.
Pe. Léo

