*O Dom das Línguas e da Interpretação das Línguas
Os Carismas atuam como ferramentas indispensáveis para a cura entre gerações, com a função de determinar um conhecimento mais preciso das enfermidades herdadas, os carismas assumem um papel relevante na oração pela árvore genealógica e, por isso, precisam estar presentes na vida dos cristãos.
Para uma melhor compreensão, convém tecer algumas informações sobre cada um dos carismas segundo São Paulo, embora de forma resumida.
Reportamos à primeira Carta aos Coríntios:
“A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz” (I Cor 12, 7-11).
- O dom das línguas
O dom das línguas consiste na emissão de sons vocais, sob o controle de quem emite. Normalmente não se pode identificar com palavras (vernáculos), e quando o pode, aparecem isolados e sem nexo.
É um carisma de glorificação a Deus, de comunicação com Ele pela fé, oração, louvor, bênção e ação de graças. Propicia uma oração de intercessão no coração daquele que crê – Rm 8, 26-27. É um verdadeiro carisma de oração que vem de Deus.
Marca o início das manifestações extraordinárias do Espírito Santo, bem como a preparação do Espírito para uma atividade mais profunda e mais poderosa para o serviço da Igreja. Por isso, é considerado um dos primeiros dons a se manifestar e que nos abre aos demais dons. Alicerça em nós a vontade de Deus, capacitando-nos a viver o amor conseqüentemente, a viver os demais dons como convém. Proporciona-nos o equilíbrio do corpo, da alma e mente, pois quem ora em línguas edifica-se a si mesmo (I Cor 14, 4a).
Para a cura entre gerações, é o dom que prepara o ambiente, pessoal ou comunitário, para que os demais dons se apresentem como auxílio na oração pela cura da árvore genealógica e a torne mais eficaz.
- A interpretação das línguas
É uma ação de Deus pela qual a pessoa proclama a mensagem de Deus. É semelhante e equivalente à profecia. Não é um dom de tradução, como se alguém traduzisse uma língua convencional, mas trata-se de um impulso, de uma unção espiritual para tornar compreensível aos membros da comunidade, a mensagem do Senhor que lhes chega em línguas.
Manifesta-se na assembléia reunida em oração e louvor a Deus e faz-se preceder pelo dom das línguas, e é liberada por ele. Consiste numa inspiração especial em que o agraciado é capacitado a dar sentido a uma mensagem aparentemente vaga, atendo-se ao conteúdo espiritual de uma mensagem dada em línguas.
O dom da interpretação pode ser dado à mesma pessoa que tiver recebido o dom das línguas, como também pode ser dado a outras pessoas. O intérprete sente-se movido a exprimir em palavras normais, convencionais, inteligíveis por todos, uma mensagem em línguas que lhe vem do Senhor. Esta, por sua vez, é endereçada a toda comunidade reunida pra a sua edificação.
A mensagem em línguas pode ter durações diferentes, podendo ser longa ou mesmo breve. Contudo, a interpretação deve ser concisa, apresentando com clareza a mensagem do Senhor em sua totalidade e não somente parte da mesma, como se esta viesse mais tarde e por outra pessoa. Às vezes, há vários intérpretes e, curiosamente, quando um interrompe, repentinamente, um outro continua exatamente do ponto em que parou o primeiro.
O intérprete percebe claramente que as palavras lhe vêm à mente de forma abundante, e deve dizer o que o Senhor lhe inspirar. Experimenta um impulso, a unção. Quanto mais se habitua, mais facilmente identifica o modo como o Senhor lhe “dita” as palavras. Acontece que várias pessoas podem, em algumas circunstâncias, receber a mesma interpretação da mensagem ouvida, devendo apenas confirmar o que já foi interpretado.
A pessoa que interpreta deve exprimir-se sempre na primeira pessoa, como se falasse o próprio Senhor. Além das palavras, ele pode, por vezes, perceber um quadro, uma visualização sobre um fato comunitário ou pessoal, sobre o qual a mensagem em línguas está se referindo; neste caso, deve também partilhar o que o Senhor comunicou dessa forma.
Quando não houver intérprete no momento em que a mensagem em línguas for manifestada, todos devem ficar calados (I Cor 14, 27-28); ou a própria pessoa que fala em línguas as interprete (I Cor 14, 5b).
O dom da interpretação nos permite também entender o que dissemos a Deus em nossa oração em línguas ou o que um irmão disse a Deus em línguas. Quando isto acontece de forma pessoal, é porque o Senhor quer revelar o que Ele mesmo está realizando em nós pela intercessão do Espírito Santo. No caso de uma outra pessoa, geralmente, é para que se interceda por ela nas áreas reveladas pelo Espírito.
Após receber uma mensagem e sua interpretação, deve-se proclamar a misericórdia do Senhor, com algum tempo reservado à ação de graças e aos louvores.
Em relação à cura entre gerações, este dom é um dos meios de se escutar diretamente a Deus, de maneira especial, no que diz respeito à cura e libertação das influências negativas dos antepassados.
Luiz Antônio de Paula

